Decidi começar este blog porque reparei que, embora tenha muito destaque lá fora, o Fedora tem muito pouca participação na preferência dos usuários Linux brasileiros.
Isso me intriga bastante. O Ubuntu é um baita sucesso por aqui, e ele merece, é um ótimo produto. O problema não é o Ubuntu ganhar do Fedora, afinal, cada um tem seu gosto e são duas excelentes distros. O que eu não entendo é porque há tão pouca gente usando o Fedora por aqui. O Projeto Fedora Brasil faz um excelente trabalho de divulgação, mas parece que as pessoas não se empolgam. Com o Ubuntu as coisas parecem ser bem diferentes, há vários blogs de grande qualidade (agregados no Planeta Ubuntu) em que usuários declaram diariamente sua paixão pelo sistema. Talvez esteja faltando isso no Fedora: usuários comuns, em seus blogs, dizendo porque usam o Fedora e porque seus visitantes deveriam usar também.
Achei que seria melhor parar de reclamar e comecei este blog. Quem sabe outros “fedoros” se empolgam e seguem o exemplo. Então, vou explicar para vocês meus motivos para usar o Fedora.
Até o ano passado eu já havia experimentado várias distros: Mandrake, Kurumin, Ubuntu, Mandriva, Suse, Slackware… gostei um pouco de todas. Então experimentei o Fedora 7. Gostei bastante do resultado, mas acabei passando para o CentOS, porque na época eu estava trabalhando com servidores e queria algo bem estável.
Depois de abandonar esse negócio totalmente insano de trabalhar com administração de servidores – os caras que fazem isso ou são loucos ou são heróis – abracei a carreira de tradutor que já tinha rendido o meu diploma em Letras e voltei ao Fedora, dessa vez na versão 8.
Escolhi o Fedora porque ele é um produto de grande qualidade, como várias das distros que testei. É estável, como algumas distros que testei. E, acima de tudo, porque é uma distro fácil de entender. Fiz um breve teste com o Debian antes, mas há tantos scripts de inicialização, um apontando para o outro que aponta para o outro… achei o Fedora mais simples, eu consigo entender o que se passa do boot até o GNOME.
Fora isso, gosto das ferramentas de configuração do Fedora e gosto do parentesco com o RedHat Linux. A RedHat é incrível, e sinto que há uma seriedade no Fedora que vem, em grande parte, desse parentesco. Alguns criticam o Fedora por ser meio híbrido, não saber se é um servidor, um Linux corporativo ou um sistema para usuários domésticos. Pois é exatamente isso que me atrai no Fedora. Nos meus testes, ele se mostrou mais estável do que as outras distros que testei, o que atribuo ao lado servidor/corporativo da distro (que, por exemplo, é um ponto fortíssimo do CentOS).
Por outro lado, o Fedora tem as versões mais recentes de vários programas (ponto fraco do CentOS), o que atribuo ao lado desktop da distro. No final das contas, temos uma distro moderna, atualizada e bastante ousada, dando o primeiro passo em tecnologias como o PulseAudio, sem, no entanto, fazê-lo de maneira irresponsável e atrapalhada. O Fedora inova, mas se preocupa em inovar com responsabilidade. Acho que é por isso que escolhi o Fedora, ele satisfaz minha sede de novidades sem que eu tenha que abrir mão da estabilidade. Afinal de contas, como tradutor, trabalho em casa e uso o Fedora para isso. Se o Fedora pifar, o trabalho pifa, e aí o condomínio pifa, a conta de luz pifa e a esposa vai me dizer, “por que você não usa Windows como todo ser humano normal?”
Vejam o caso recente do Ubuntu. O Hardy Heron acabou de sair em versão LTS, com suporte estendido, focado no mercado corporativo. Mas veio com uma implementação meio capenga do PulseAudio, e tem gente que manja reclamando da instabilidade que ele vem causando. Além disso, temos o Firefox 3 beta. Eu estou usando o Firefox 3, estou adorando, mas digam o que disserem sobre ele, eu JAMAIS incluiria um beta, por mais estável que fosse, em um lançamento com foco no mercado corporativo. Parece que o Ubuntu deixou o lado “que-legal-o-Firefox-3-é-o-máximo-o-pulseaudio-é-incrível” falar muito mais alto que o lado “empresas-vão-usar-vamos-pegar-leve.” Acho que o Fedora lida melhor do que o Ubuntu com esse equilíbrio doméstico/corporativo, e acaba favorecendo caras como eu, que usam o computador para trabalhar e para se divertir. Mas EU GOSTO DO UBUNTU, então não me venham com flames!
Por isso, digo a vocês que o Fedora merece alguns minutos da atenção de vocês. A versão 9 está saindo do forno esta semana,e parece ótima. Baixe o live CD, há versões com o GNOME e o KDE, você pode escolher. Teste, instale numa partição separada, use por uns dias. Depois volte aqui e conte do que você gostou ou não gostou. Quem sabe o Fedora não conquista você?